Criado no governo Bolsonaro, Pix movimenta R$ 270 bilhões em MT e ganha espaço nos pagamentos
Volume acumulado nos oito primeiros meses de 2026 cresce 14,96%
Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Dificuldade de acesso ao crédito pode estar estimulando pagamentos com recursos próprios
Lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Pix movimentou R$ 270 bilhões em Mato Grosso nos oito primeiros meses de 2026, consolidando a presença do pagamento instantâneo nas transações de consumidores e empresas. O volume financeiro representa crescimento de 14,96% em relação ao mesmo período do ano passado.
Somente em agosto, foram movimentados cerca de R$ 36,6 bilhões pelo sistema no Estado. Apesar de uma pequena redução em relação a julho, quando as operações somaram R$ 36,9 bilhões, o resultado ficou 12,17% acima do registrado em agosto de 2025.
Os dados foram divulgados pela Fecomércio-SE e analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT). Segundo a entidade, os números mostram que o Pix passou a ocupar espaço permanente entre os meios utilizados para pagamentos e transferências.
Desde abril, Mato Grosso mantém movimentação mensal superior a R$ 35 bilhões. O maior volume do ano foi registrado justamente naquele mês, com R$ 37,8 bilhões.
“A manutenção do volume de transações demonstra que o Pix já está totalmente incorporado à rotina de consumidores e empresários mato-grossenses, contribuindo para dar mais agilidade às transações e ao funcionamento da economia”, afirma o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli.
MOVIMENTO CRESCE A PARTIR DE MARÇO
Os dados mensais mostram uma aceleração das operações depois dos dois primeiros meses do ano. Em janeiro, o Pix movimentou R$ 28,9 bilhões no Estado. Fevereiro apresentou o menor resultado, com R$ 27,8 bilhões.
Em março, o volume subiu para R$ 31,8 bilhões e, em abril, alcançou o pico de R$ 37,8 bilhões.
A partir daí, permaneceu acima de R$ 35 bilhões: maio registrou R$ 35,1 bilhões; junho, R$ 35,2 bilhões; julho, R$ 36,9 bilhões; e agosto, aproximadamente R$ 36,6 bilhões.
Além da facilidade de utilização pelo consumidor, a Fecomércio-MT aponta vantagens para as empresas, principalmente pela disponibilidade imediata dos recursos.
“A adesão crescente dos comerciantes ao Pix está relacionada à praticidade e à agilidade que a ferramenta oferece. O recebimento instantâneo dos valores melhora o fluxo de caixa das empresas e, em muitos casos, reduz os custos das operações quando comparado a outros meios de pagamento”, diz Tião da Zaeli.
CRÉDITO MAIS DIFÍCIL
A expansão do Pix ocorre simultaneamente ao aumento da dificuldade relatada pelas famílias cuiabanas para obter crédito.
A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que 48% das famílias de Cuiabá relataram dificuldade de acesso ao crédito em agosto. Em maio, eram 40,3%.
Em três meses, portanto, houve aumento de 7,7 pontos percentuais na parcela de famílias que consideram mais difícil conseguir financiamento.
Para a Fecomércio-MT, esse cenário pode contribuir para uma utilização maior dos recursos disponíveis imediatamente na conta do consumidor, embora os dados apresentados não permitam estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a restrição ao crédito e o aumento das operações via Pix.
“O crescimento expressivo do Pix sugere que as transações à vista ganharam ainda mais centralidade. O consumidor, com menos crédito disponível no mercado, passa a depender diretamente de sua renda líquida imediata para movimentar a economia”, avalia Tião da Zaeli.
O comportamento também ocorre em um período de pressão sobre o consumo das famílias. Com o crédito mais restrito, a modalidade instantânea ganha importância tanto para o consumidor quanto para empresas interessadas em receber imediatamente e reduzir custos associados a outras formas de pagamento.

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